domingo, 8 de fevereiro de 2009

MEU MAR É O TEU PORTO

(Minha primeira parceria com Amaro Vaz)

Seu mar é rio que eu não conheço
É solidão que eu não sei navegar
É lágrima que eu não posso mais chorar
É beijo de amor que eu não mereço.

Meu mar é rio silencioso, teu endereço,
Meu parceiro, teu barco a me navegar
É lenço pra lágrima que teima em rolar
Meu mar é beijo de amor que te ofereço.

Que mar é esse que eu não percebia
Me dando a mão, me dando a garantia
De um mergulho em tão suave corpo?

Esse mar estava ali em maré mansa...
Já foi jovem, foi uma inquieta criança
Hoje, maduro, dorme em teu porto!

De: Amaro Vaz & Vania Vianna - Fevereiro de 2009

TEM GENTE COM FOME..

TEM GENTE COM PRESSA...

TEM GENTE SEM DEUS...


O serviço de metereologia previa uma tempestade, mas apareceu um sol belíssimo de verão com o frescor do outono. Surgiu o colorido da primavera com a alegria dos pássaros, num quase início de inverno. Tudo ornado em aromas, sons e luz.

Exagero em ver tudo isso? Não! Muitos, mesmo sem ter nenhuma pressa, não conseguem ver ou sentir. Seus olhos se desviam do belo e, alguns mais atordoados pelas urgências, sofrem um processo se encegamento seletivo no desejo do TER.
Por mais que eu corra, ainda tenho o privilégio de ver e escutar tudo isso acontecendo ao meu redor, ao abrir cedinho a janela. A natureza me hipnotiza desde criança e, por isso, percebo as quatro estações de uma só vez num só dia .
O rei Davi via, talvez, melhor que eu, ao pastorear suas ovelhas nos campos quando falou que “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos! Um dia, faz declaração a outro dia... Não há falas nem palavras; não se lhes ouve a sua voz”. Ele podia perceber porque, simplesmente, não sentia pressa e, embevecido, tinha o desejo de adorar ao Criador daquilo que ele observava.
Quanta interação nesse despertar! Davi viu o Deus que “estende a Sua linha e as Suas palavras até os confins do mundo” e observou que, para cada dia, Deus “pôs uma tenda para o sol, e nada se esconde ao seu calor”. Sal. 19
Hoje somos arremessados brutalmente ao Ter. Ter que ir, ter que fazer, ter que comprar...Ter que ter! Tem gente com fome, tem gente com pressa, tem gente sem Deus.

Temos a imposição da vida nos arrancando dessa interação, desse nirvana entre a natureza e o Criador. E o apito da máquina apressada da vida nos manda calar: Psiuuuuu... Não escutem a Deus!
O dia começa com o sino do vendedor de gás num toque barulhento! Com a buzina do vendedor de pão! Com um bife batido na vizinha antes de sair para o trabalho; ela irá arrastar seu pesado portão de ferro e sair de carro, atrasada para o trabalho. É o seu ritual diário!
Lembro-me de uma música do grupo J. Quest que fala assim: “Hoje, só tua presença, vai me deixar feliz, só hoje”, dirigindo-se à sua amada. Desejo falar isso pra Deus! Juntar-me a Ele e estar em Sua presença; ser feliz sentindo o sol em minha pele e interagir com Ele. Sem pressa nenhuma!

Hoje, como Davi, posso entender que a lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma. Que os dias, como obras de Suas mãos, “são mais desejáveis do que ouro fino” e, medito agradecida por ainda receber toda essa graça, inspirada em Sua presença em minha vida, e em Sua criação.
Que hoje você consiga ver a Deus em sua vida também... Sem pressa! e nós próximos dias também!

Vania Vianna – 03-04-2008

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


TROVÃO

Lá fora está chovendo. Ontem fez um calor muito grande pelo dia e na madrugada de hoje. Era prenúncio da chuva de janeiro que chegou em fevereiro. Era anúncio de trovoada que é pra mim pura alegria.

Penso no que a chuva traz para as plantas, ao sertão ressequido, ao povo já combalido do sofrer a seca. Garantia de colheitas!
Estavam faltando chegar os relâmpagos e os trovões, mais nada... E eles chegaram ao ponto de fazer tremer a minha janela! Mas eu gosto desse clima. Pingos da chuva, plantas tremendo, cheiro da terra... Gotas de orvalho luzindo o que me faz lembrar certo soneto.
E quando o trovão chegou eu estava dormindo e, me encolhi gostosamente debaixo do lençol, pois não temo trovões.Trovão é *FESTA NO CÉU, assim me ensinou a minha mãe! Ele explode e se aquieta pra depois se fazer silêncio em homenagem ao próximo relâmpago, pré gozo de paz e de harmonia da natureza!
E o silêncio pós trovão é como que aguardando um sinal
; ele quer o instante, o momento esperado para a entrada nos portais do paraíso... Silêncio, alvorecer calmo e espreguiçado, cantos de passarinhos em cima das árvores, nos jardins, chamando o parceiro para brindar juntos o clarear o dia, assim que a chuva dá uma trégua.
Eu intuo esse novo dia, a sua entrada, seu contato com a minha pele, seu cheiro... Nas plantas, no ar, em mim, em todos os meus sentidos e sinto todos os odores e sabores que me fazem tão bem.
Parece-me que o mundo está em paz, mas não é bem assim. Quando saio de carro, ao dobrar a Avenida Fernandes Lima e vejo um imenso engarrafamento, percebo o sinal da insatisfação da insatisfação humana, mas ainda estou e fico em paz.

Pra mim é dia de festa, dia de luz, dia de sonhar e de esperar que o meu amado chegue e traga para mim seu delicioso aperto de mãos e de seus braços envolvidos em minha cintura me aconchegando bem junto a si. E depois ... E depois que Deus nos abençoe!
Vania Vianna - Maceió - 03.02.09

APRENDI CONTIGO

Aprendi a te esperar sem expectativas!
Foi um difícil e doloroso aprendizado...
Nada mais há pra fazer, mas me motivas
A esperar que o céu o tenha me enviado!

Aprendi a viver sem o amor, mas amando!
Custei demais a viver este discernimento!
Aprendi em duras penas e assim entregando
Ao inefável da vida, meus impedimentos...

Aprendi a viver só o meu sonho solitário
Porque me vi sozinha no desejo embriagada
E fiz dele meu presente, meu relicário!

Aprendi com você que a fantasia da canção
Traz pra mim o engano de ser amada
E me conformei em tê-lo apenas no coração!

VaniaVianna – 26.12.2008

domingo, 1 de fevereiro de 2009

SOU DIFERENTE COMO O POR DO SOL!



Ainda que o sol se ponha
Que a brisa paire amena
Mesmo que eu seja pequena
Há algo em mim que sonha...
Os raios de sol que descem
São os mesmos que me aquecem
E todos são tão diferentes!
São eles que me amornam o peito
Dizendo que não há mais jeito:
Nunca serás para mim indiferente!

Por de sol ou nascer do dia
Ambos tão belos e idênticos
Em doce e suave alquimia...
E eu sei que em todo raio
Vem um Poder do alto – um ensaio,
Que me faz lembrar um amor distante...
Penso que tudo ainda é como antes
Que sou alguém que muito te quer
E para ti sou bem demais diferente
Do que qualquer outra mulher!

Vania Vianna – BH– 10.08.2007

MUDEI POR QUÊ AMO

Mudei a tristeza pra dar versos ao riso
Mudei a saudade pra dar luz à presença
E viver é mudar, eu tenho essa crença
E mudar é o verbo, é o que mais preciso!

Mudei o olhar pra ver coisas mais belas
Que mudar é seguro ao poeta e à canção
Se se enxerga nas dores as cores mais belas
Foi o olhar dos amores no olhar da paixão!

Mudei o momento pra ser forte, eu quis!
Mudei e venci a dor mais desvairada
Mudei meu enredo pra poder ser feliz!

Mudei minha mesa, meu armário, a cama...
Mudei a janela em uma porta arejada...
Mudei porque sei que é assim que se ama!



Vania Vianna – Maceió – 25.09.08

...DEI DE ACORDAR DE MADRUGADA !


Dei de acordar de madrugada...
Sonho na ponta da língua pra contar
Sensação de uma vida n’outro lugar...
Por um momento, por um desejo, fui encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Vontade imensa de ficar, de permanecer.
Nenhuma falta, lugar propício para viver...
Por um momento, por um desejo, fui encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Revivi uma história passada há tantos anos!
Numa só noite passei por mil enganos:
Por um momento, por um desejo, fui encantada!


Dei de acordar de madrugada...
No sonho lembrado, quis voltar a dormir!
Viver o mesmo enredo, sonhar, repetir...
Por um momento, por um desejo, fui encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Relembrei caminhos já percorridos.
Caminhos trilhados, horizontes vencidos...
Por um momento, por um desejo, fui encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Troquei os versos, vivi o hoje sendo menina.
Ai! Que saudade! Como foi bom ser pequenina!
Por um momento, por um desejo, vi-me encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Coração quente, fôlego ofegante, puro prazer...
Quem não quer viver um doce querer?
Por um momento, por um desejo, me entreguei encantada!


Dei de acordar de madrugada...
Os pássaros ali não cantam, e cantam grilos!
E aquele sonho? Como pude sonhar aquilo?
Por um momento, por um desejo, estive encantada!


Não! Não durmo mais na madrugada...
Espero o sonho chegar pela janela!
Vou ver no espelho minha expressão mais bela!
E ser, por um momento, o teu desejo... Mesmo enganada!


Vania Vianna – BH – 01.08.2007